A conceituação da síndrome de Burnout foi elaborada nos Estados Unidos em meados dos anos 70. O termo refere-se a algo que deixou de funcionar por exaustão. Ele ajuda a ilustrar os sintomas associados a esta síndrome, que se desenvolve como uma resposta ao quadro de estresse laboral crônico, desencadeado por sentimentos de exaustão, esgotamento e despersonalização do trabalho. 

O Brasil é o segundo país em número de pessoas afetadas pela Síndrome de Burnout. A pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma-BR) em 2018, constatou que 32% dos profissionais brasileiros desenvolvem a síndrome, o que equivale a 33 milhões de pessoas pelo país, só ficando atrás da China em que há uma avaliação de que cerca de 70% dos trabalhadores são afetados. 

Diante desse cenário preocupante do desenvolvimento da síndrome, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu o quadro de sintomas como de uma síndrome crônica e, enquadrando-a como um fenômeno relacionado ao trabalho, a inclui na  nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11). 

Principais características da Síndrome de Burnout 

A síndrome é mais comum em profissionais que desempenham suas funções laborais em contato constante com outras pessoas, como professores, médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, policiais, bombeiros, etc.  

Os sintomas da síndrome podem variar consideravelmente, mas alguns se destacam em três grupos: 

  • Sintomas físicos: fadiga, dores no corpo, distúrbios do sono, problemas no sistema respiratório, enxaquecas, desconfortos gastrointestinais, doenças autoimunes, disfunções sexuais e alterações menstruais. 
  • Sintomas psíquicos:  dificuldade para se concentrar, distrações constantes, problemas de memória, confusão mental, sentimentos de alienação, solidão e impotência, irritação, baixa autoestima, desânimo, depressão, desconfiança que pode levar a um quadro psiquiátrico de paranoia. 
  • Sintomas comportamentais: negligência; agressividade, dificuldade de relaxar, resistência a mudanças, perda de iniciativa, aumento do consumo de substâncias, ideação suicida,  isolamento, sentimento de onipotência, desinteresse por questões do trabalho, absenteísmo, ameaças de abandono do trabalho, ironia, cinismo. 

A Síndrome de Burnout pode se desenvolver em três principais dimensões, que são identificadas através de um questionário Chamado MBI (Maslasch Burnout Inventory) desenvolvido pela psicóloga americana Christina Maslach:

  • Exaustão emocional: é quando a pessoa sente não dar conta mais de sua função. Nessa dimensão é comum haver conflitos pessoais nas relações de trabalho, acompanhadas de ansiedade diante da demanda diária da função.
  • Despersonalização: essa dimensão pode estar associada à dimensão anterior, pois ela se desenvolve como uma defesa a um quadro emocional instável. O trabalhador ou trabalhadora passa a agir com frieza e rigidez, perdendo a empatia pelos colegas diante da falta de sentido no trabalho que executa. 
  • Perda da Realização Profissional: aqui a pessoa passa a se sentir insatisfeita consigo mesma durante a execução do seu trabalho. A baixa autoestima pode agravar o quadro de estresse e depressão, acarretando em perda de produtividade.

Como identificar a síndrome entre os funcionários da equipe

O diagnóstico da síndrome nem sempre é fácil, pois os critérios para identificar os excessos no trabalho podem ser complicados de definir e visualizar no cotidiano do trabalho. O ideal é contar com a ajuda de um profissional especializado, mas algumas medidas podem ajudar a estar atento a essa possibilidade:

  • Analisar se as atividades desempenhadas pelos funcionários chegam a extrapolar os limites físicos e mentais dos indivíduos, seja por meio das horas trabalhadas, ou pelas condições que lhes são oferecidas para realizar suas funções. 
  • Refletir se as tarefas realizadas estão sendo recompensadas e seus méritos reconhecidos ao longo dos processos, ou do cotidiano do trabalho.
  • Observar se há constantes alterações de humor e desmotivação nos funcionários, e se essas reações persistem mesmo em atividades prazerosas. 

A Síndrome de Burnout se desenvolve de forma lenta e gradual, portanto acompanhar a persistência dos sintomas e a evolução deles pode ajudar a distinguir se é uma situação pontual, ou se pode de fato ser o quadro psicológico da síndrome se formando. 

Como encaminhar os casos identificados 

Caso identifique algum funcionário em sua empresa com esses sintomas, o melhor é encaminhar para uma avaliação do médico do trabalho que irá encaminhar a pessoa para a assistência terapêutica adequada se preciso. 

Em casos em que o diagnóstico da doença for confirmado, será necessário preencher a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) e encaminhar o funcionário para realização de perícia ao INSS, para que seja verificado se há necessidade de afastamento.

Se for necessário haver um afastamento superior a 15 dias caracterizado como auxílio doença acidentário, o colaborador terá direito a 12 meses de estabilidade. Caso a empresa não respeite essa norma, terá que pagar uma indenização referente ao período complementar. 

Apesar de alguns sintomas da Síndrome de Burnout se confundirem muitas vezes com efeitos comuns que o cotidiano do trabalho tem sobre as pessoas, quando um quadro crônico se instala no indivíduo ele pode enfrentar um forte sofrimento psíquico que irá afetar todas as esferas de sua vida. 

Os efeitos da Síndrome de Burnout também podem ser muito ruins para as instituições, impactando na produtividade da equipe, na imagem da empresa, nos custos trabalhistas e nos esforços para lidar com a rotatividade. Por isso, manter um ambiente de trabalho saudável, que respeite e reconheça seus colaboradores é fundamental para prevenir casos como estes.